Viseu, Cidade Europeia do Folclore

by - agosto 26, 2018


Faz agora um mês que a cidade de Viseu foi invadida por mais de cinco mil turistas durante cinco dias. Viseu foi eleita a Cidade Europeia do Folclore de 2018 e foi ponto de encontro de vários países que vieram trazer cor, alegria e mais vida a esta que é considerada a melhor cidade para se viver.

Os meus pais fazem parte de um rancho folclórico e foi graças a eles que consegui ter bilhetes para as cerimónias de abertura e encerramento. Durante o dia era muito complicado eu encontrar os grupos a actuar pois estava sempre a trabalhar e quando eu ia almoçar, eles também paravam. Por isso, as únicas oportunidades que eu tinha de viver este "festival", eram através das cerimónias e do cortejo que decorreu no sábado de tarde, dia 27 de Julho, no qual eu estive presente do início ao fim e consegui juntar quase 1000 fotos e uns quantos vídeos.

Sou sincera: a cidade de Viseu andava a divulgar esta festa há imenso tempo mas nunca liguei muito e até cheguei a dizer que não me interessava ver mas cheguei à conclusão que foi contagiante! Eu vivo na zona histórica da cidade e, portanto, cruzava-me imensas vezes com estes estrangeiros super simpáticos e de sorriso na cara.Viseu tornou-se pequena para tanta gente mas talvez isso tenha sido bom pois assim, quem vive cá, vive mesmo isto! Eu vivi e agora escrevo estas palavras com muita saudade.


A Cerimónia de Abertura foi linda. Foi uma óptima forma de conhecer os vários grupos participantes, poder ouvir as suas músicas, ter vontade de dançar com eles e apaixonar-me pelos trajes. A parte negativa foi a duração. Começou às 21h e quando o relógio já marcava 00h10 ainda faltavam alguns grupos. Acabei por não ficar até ao final que, vim a saber mais tarde, terminou à 01h! De qualquer das formas, garanto-vos que vi muitos grupos, todos eles com as suas características.

Posso dizer que me senti várias vezes em filmes de época e se fechasse os olhos era capaz de ser transportada para determinado país e imaginar que estaria numa rua a assistir a uma actuação como às que vi. Na verdade, consegui reavivar a memória com algumas actuações de rua e assisti em algumas das viagens que fiz.

Logo desde a cerimónia de abertura que fiquei rendida a alguns trajes e andava feita tola a dizer que eu ainda ia conseguir fotos com algumas pessoas. Custou e só na sessão de encerramento é que consegui, embora com apenas três trajes diferentes. Mas vale mais três, do que nenhum!


A Sessão de Encerramento foi praticamente o mesmo e não fiquei até ao final nem estive lá muito mais do que 2h mas mais tarde arrependi-me um pouco porque no final, todos os grupos participantes foram para o relvado do Estádio Municipal do Fontelo e isso sim, ia dar uma foto linda!

Tenho a ideia que em Portugal, o folclore está um bocado morto e se formos a ver a composição da maior parte dos ranchos é tudo pessoas acima dos 50 anos. Não há crianças e não se consegue cativá-las a entrarem neste tipo de grupos. O folclore é uma parte da história de cada país e naqueles dias de festa e principalmente no dia do cortejo consegui perceber bem as enormes diferenças que há entre Portugal e os outros países. Além disso, consegui também ligar a história que aprendemos na escola com os trajes. 

Talvez um dos motivos do rancho português não ter caras jovens é pela musicalidade e traje. Somos gente de músicas esganiçadas e roupas de lavrador. Tão simples quanto isto. Se olharem atentamente para os trajes, têm todos ar de pobre mas ali pelo menos pode andar um traje que, embora com ar de pobre, é o traje de gente rica ou traje domingueiro. No entanto, se formos a pensar na história portuguesa, sempre fomos um povo de agricultores e gente pobre, por isso, faz todo o sentido que as roupas sejam assim.

 

Sem dúvida que foi uma vivência espectacular e juro que se eu não estivesse a trabalhar nos dias 25 e 26 de Julho eu teria andado atrás dos grupos pela cidade fora pois eu gostava imenso de ter tido oportunidade para poder conversar com as pessoas.

Sabemos que os grupos regressaram aos seus países de coração cheio e gratos pela forma como os recebemos. Viseu irá ficar na memória deles, tal como eles irão ficar na memória da cidade... e da minha.

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  1. Olá!
    Lancei em Maio deste ano o meu primeiro livro "Tudo o que Sempre Quis", um livro que conta a história de 5 jovens que se perderam algures na estrada da vida e o destino junta-os numa pequena vila à beira-mar, levando-os a enfrentarem os seus fantasmas do passado. Uma história sobre os erros que cometemos, as consequências e as 2as oportunidades mas acima de tudo sobre o amor, a amizade verdadeira, a lealdade, a nossa família e o que fazemos pelas pessoas que mais amamos.
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